Igreja São João

Pertenceu à Misericórdia, a capela de S. João Baptista
(Antiga Capela de S. Vicente da Gafaria)

Denomina-se Capela de S. João Baptista, um templo situado à Porta da Vila, que possui no seu interior, outro, mandado erigir pela Rainha Santa Isabel, em 1309, então dedicada a S. Vicente, servindo para assistência religiosa àqueles que mais padeciam na Idade Média, os leprosos, cujo o Hospital dos Gafos se encontrava anexo.

Há, porém, quem remonte a origem deste pequeno templo à época visigótica.

No início do século XVI, o templo começou a fazer parte do Património da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos e, desde 19 de Outubro de 1636 até ao evento do liberalismo, serviu de sede à Paróquia e Colegiada de S. João do Mocharro. Tendo sido instalada a primeira freguesia da Vila, em 3 de Fevereiro de 1639. Esta permaneceu na ermida de S. Vicente com o nome de S. João Baptista, onde se manteve até 21 de novembro de 1711, depois do profundo restauro que sofreu a antiga igreja de S. João do Mocharro, reabrindo este templo ao culto, com a invocação de Nossa Senhora do Carmo.

Esta veneranda e histórica imagem é uma boa escultura em madeira, com pouco mais de um metro de altura, foi mandada fazer e oferecer à antiga paróquia de S. João Baptista do Mocharro, pelo 1.º conde e alcaide-mór de Óbidos, D. Vasco de Mascarenhas e sua esposa D. Jerónima La Cueva y Mendoça.

Foi o provedor da Misericórdia e prior de S. Pedro, D. João de Sotto Mayor, que assinou a escritura de cedência da Capela de S. Vicente à freguesia de S. João do Mocharro. Ainda no século XIX, os provedores da Santa Casa dirigiam-se a este templo, localizado junto à Porta da Vila, acompanhados dum enorme acompanhamento, onde faziam uma oração, a fim de mostrar que aquela capela era pertença da Misericórdia.

Em 1929, ainda foi a Mesa Administrativa da Misericórdia que mandou construir uma bancada de madeira pintada de preto e a pôs no meio da igreja, a fim de se colocar o ataúde, enquanto o padre fazia as encomendações do ritual.

Em 1963, já propriedade da Igreja e considerada a Capela do cemitério estava necessitadíssima de restauro, pois o seu aspecto era, na realidade, confrangedor. Beneficiou de algumas obras, levadas ae feito por uma comissão. Todo o sobrado foi levantado e substituído por tijoleiras, de velhas características, que deram ao templo um aspecto muito melhor, havendo a preocupação de uma mais completa reintegração da antiga Capela na sua primitiva traça.

No prosseguimento das obras, quando os operários se preparavam para dar início aos trabalhos de caiação, perante grande surpresa, um dos homens verificou que, entre as nervuras da abóbada que cobre a capela-mór, espaço até aquela data revestido de reboco, tinha coloridas pinturas, ainda em bom estado. Tomadas as devidas precauções, foi possível pôr a descoberto alguns frescos que se supunham, na época, ser do século XVII, ou talvez do tempo de D. João V. A boca do trono é fechada por um painel, representando S. João adolescente, que segundo a tradição, foi pintado por Josefa de Óbidos.

Estará relacionada com a capela de S. Vicente, criada por Santa Isabel, a imagem de S. Vicente que se encontra em exposição no Museu Municipal e que fora achado pelo meu tio Albino, no meio de destroços, nas traseiras da Igreja de S. Pedro desta Vila, transformadas hoje em jardim e que serviu há muitos anos de cemitério.

Hoje, a Capela de S. João Baptista, propriedade da Igreja, encontrando-se praticamente devoluta e num avançado estado de degradação, levou a autarquia e as paróquias locais a decidirem dar-lhe um novo uso. Foi este templo, recentemente restaurado, mais uma vez, e transformado no primeiro Museu Paroquial de Óbidos (ou de S. João), que servirá como incentivo ao estudo e divulgação dos bens artísticos e históricos da Igreja e irá permitir, ainda este espaço nas perspectivas culturais e educativas, um “serviço de natureza pública, articulado com as restantes unidades museais, com os eventos e serviços na esfera da Cultura e Turismo, garantindo uma implantação de carácter permanente e regular”.