Atelier
Criatividade, tradição
As tijoleiras da Misericórdia de Óbidos

Tudo começou há cerca de vinte e dois anos.

A Misericórdia concorreu com um projeto ao Fundo Social Europeu, para pintura de azulejos. Nesta formação foi também lecionado a técnica da corda seca sobre tijoleira de S. Paulo.

Terminada a formação, a Santa Casa, preocupada em continuar a ser uma estrutura material e humana, servindo a realização de ações de interesse social e/ou coletivo, criou um atelier no edifício devoluto da estação dos caminhos de ferro da Vila de Óbidos, constituindo uma empresa de inserção, por onde passaram, ao longo de sete anos, vinte e oito formandos, com as qualidades distintivas fundamentais e determinadas para aquela frequência.

Concluído este período, a Mesa Administrativa decidiu manter a empresa com cinco formandos, transferindo o atelier para o edifício do antigo hospital, hoje Pousada da Vila de Óbidos, e iniciar a comercialização do produto, tijoleiras pintadas com a técnica da corda seca, essencialmente com vistas de Óbidos, na sua loja, a muitos turistas que visitam diariamente a região. A Vila de Óbidos fica situada a menos de cem quilómetros da “porta da capital” e na rota turística de Lisboa, Nazaré, Alcobaça, Batalha, Fátima… e desde sempre escolhida pelos nossos monarcas para pertencer à “Casa das Raínhas”. Posteriormente foi ainda preferida pelo ministro do Estado Novo, António Ferro, à frente do Secretariado da Propaganda Nacional, para implementar toda a política de propaganda do regime, vindo a ter um papel decisivo na orientação do turismo nacional, realçando o valor dos nossos costumes e tradições. Com toda a política que foi e continua a ser desenvolvida antes e depois da revolução de Abril, Óbidos, hoje, é uma vila magnificamente preservada e com acessos extremamente fáceis e agradáveis, acabando por estar ligada a todos os grandes centros da Europa através do aeroporto internacional de Lisboa.

Com as vendas deste artesanato, a Mesa Administrativa começou a reconhecer no turismo um forte potencial para um trabalho de desenvolvimento de receitas comerciais, alternativas à sustentação desta Santa Casa. Deste modo, além da loja na principal rua da vila, usufrui a misericórdia dum quiosque no parque de estacionamento, possui um estabelecimento, “Bar Arco da Cadeia”, de inspiração medieval, escondido no centro da vila, onde decorrem todos os meses tertúlias de poesia para “dar voz às vozes” de Óbidos e onde não falta a “ginjinha de Óbidos”. A Mesa ainda decidiu transformr o antigo hospital numa pousada em parceria com o “Grupo Pestana e Pousadas de Portugal” e finalmente, dar a conhecer fora das “muralhas”, o atelier das referidas tijoleiras, por estarem cientes os Mesários, que todas estas fontes começaram a ter reflexos muito importantes na economia da Misericórdia de Óbidos, pois são fontes alternativas de rendimento que permitem a Instituição conduzir as suas atividades próprias.

Através das mencionadas atividades comerciais, que não dispensam a atenção da condução e controlo dum determinado conjunto de fatores humanos, financeiros e materiais em contexto social, isto é, a Mesa ao ter este comportamento não está a preocupar-se apenas com o aumento de receitas, mas também a uma maior abrangência dos serviços, a uma melhoria das respostas sociais e à qualidade do trabalho desenvolvido.

A divulgação do referido artesanato, que a misericórdia presume ser a única no País, inicia-se sempre com o pedido do desenho do brasão aos municípios e às misericórdias, assim como, o logotipo às empresas, seguindo-se a oferta deste, pintado de acordo com a técnica da corda seca, sobre tijoleiras de S. Paulo. Escusado será dizer, que a justificação desta lembrança é a tentativa de comercializar mais tarde. No entanto, é sempre uma oferta. Ao longo dos tempos, já saíram do atelier uma lembrança para todos os municípios de Portugal Continental. Contudo, nem todos tiveram possibilidades e interesse em adquirir, pois dão, e muito bem, preferência aos produtos locais. Sentiram necessidade de comercializar os concelhos de Monção, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima, Póvoa de Varzim, Lousada, Cabeceiras de Basto Castelo de Paiva, Mesão Frio, Vinhais, Valpaços, Mirandela, Mogadouro Alijó S. João da Pesqueira, Tabuaço, Penedono, Moimenta da Beira, Guarda, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Penalva do Castelo, Belmonte, Vila Nova de Poiares, Pampilhosa da Serra, Castelo Branco, Proença a Nova, Mação, Sardoal, Alcanena, Ferreira do Zêzere, Albergaria a Velha, Oliveira do Bairro, Peniche, Óbidos, Cadaval, Alenquer, Vila Franca de Xira, Alcochete, Montijo, Moita, Castelo de Vide, Arronches, Ponte de Sor, Alter do Chão, Fronteira, Elvas, Chamusca, Reguengos de Monsaraz, Castro Verde, Almodôvar, Albufeira, Castro Marim, Vila Real de Santo António… as tijoleiras da misericórdia de Óbidos, já estão espalhadas pelo País!!!

O mesmo se passa pelas misericórdias. Ainda nem todas receberam a oferta da pintura do brasão, porque há sessenta e quatro que ainda não enviaram o desenho. Contudo algumas vezes, este é tão pouco nítido, que justifica em muitos casos a ausência da apreciação do mesmo na tijoleira, no ato do recebimento.

À semelhança dos municípios, também comercializaram as seguintes misericórdias: Ponte de Lima, Braga, Fafe, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Vila do Conde, Santo Tirso, Valongo, Paredes, Penafiel, Resende, Castelo de Paiva, Espinho, Vila Nova de Gaia, Trofa, Maia, Chaves, Valpaços, Macedo de Cavaleiros, Vila Real, Sabrosa, Carrazeda de Ansiães, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis, Murtosa, Albergaria a Velha, Marinha Grande, Arganil, Vila nova de Poiares, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Meda, Almeida, Soito, Guarda, Celorico da Beira, Penalva do Castelo, Mangualde, Tondela, Gouveia, Seia, Fundão, Sertã, Manteigas, Medelim, Proença a Velha, Galizes, Tentúgal, Buarcos, Tomar, Torres Novas, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Santarém, Caldas da Rainha, Lourinhã, Torres Vedras, Alfeizerão, Marteleira, Alcanede, Amadora, Montijo, Palmela, Barreiro, Almada, Sesimbra, Amieira do Tejo, Elvas, Borba, Vila Viçosa, Redondo, Vendas Novas, Grândola, Sines, Vimieiro, Monchique, Lagos, Portimão, Castro Marim, Faro…

O mesmo se passa pelas misericórdias. Ainda nem todas receberam a oferta da pintura do brasão, porque há sessenta e quatro que ainda não enviaram o desenho. Contudo algumas vezes, este é tão pouco nítido, que justifica em muitos casos a ausência da apreciação do mesmo na tijoleira, no ato do recebimento.

Simultaneamente, no atelier, começaram a ser pintados alguns painéis de vistas antigas e de monumentos, tendo a Instituição recebido algumas encomendas, essencialmente o retrato da Rainha D. Leonor, Nossa Senhora da Misericórdia, o Santo António, o São João, o brasão da Fundadora das Misericórdias, assim como o brasão de algumas Santas Casas.

Fizeram os seus pedidos a misericórdia de Sabrosa, Águeda, Faro, Amieira do Tejo, Almeida, Guimarães, Castro Marim, Óbidos, Funchal, Grândola, Borba, Entroncamento, Sines, Lagos, Vila Nova de Gaia, Palmela, União das Misericórdias Portuguesas, Fundão, Marteleira, Meda, Vila Viçosa, Fafe, Alfeizerão … e ainda o Município de Celorico da Beira fez a encomenda de vinte e dois painéis, representativos dos brasões das suas freguesias a fim de ser decorada uma rotunda, junto da A25.

A Mesa Administrativa vai continuar, voluntariamente, a procurar alternativas de desenvolvimento e de sustentabilidade, que garantam um equilíbrio entre a economia, o ambiente e a coesão social, sem deixar de animar, revigorar e robustecer a União, pois só ela poderá evitar a regressão do papel do Estado no financiamento das nossas misericórdias.

Carlos Orlando de Castro e Sousa Rodrigues